Vitória: a Grande Vitória, o litoral norte e a serra capixaba, lidos com a mesma régua
Seis estações do INMET em três recortes: a Grande Vitória (Vitória e Vila Velha), o litoral norte (Linhares e São Mateus) e a serra capixaba (Santa Teresa e Venda Nova do Imigrante). O que elas e o satélite registram: o uso da terra de 1985 a 2025, a temperatura e a chuva de 2000 a 2025, a ilha de calor de superfície, os riscos de deslizamento e de alagamento lidos separadamente, a biodiversidade registrada no GBIF e as áreas protegidas. As séries têm tamanhos diferentes, e a história mostra onde a leitura é firme e onde é só uma pista.
Como citar: Biondo, Leandro M. (2026). Vitória: a Grande Vitória, o litoral norte e a serra capixaba, lidos com a mesma régua. UmaTerra. https://umaterra.com.br/historias/vitoria/
Carregando os números…
—estações do INMET usadas, em 3 recortes medido
—variação da área urbana no buffer de 5 km das estações da região metropolitana, 1985–2025 medido
—°C de ilha de calor noturna na superfície da região metropolitana, média 2001–2025 medido
—anos de dado válido no litoral medido
medido pelo INMET, MapBiomas, MODIS, SRTM, GBIF ou WDPA.
estimado uma leitura que depende de uma escolha (um limiar, um buffer, um modelo).
ausente uma parte que não respondeu desta vez.
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Onde estão as estações
A Grande Vitória, o litoral norte e a serra capixaba têm conjuntos diferentes de estações do INMET, com séries de tamanhos diferentes. Escolha um recorte para enquadrar o mapa. Alfredo Chaves e Ecoporanga ficaram fora dos recortes; Afonso Cláudio, por série curta.
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Quarenta anos de uso da terra, arraste a barra
À esquerda, o uso da terra em 1985; à direita, em 2025, pelo mapeamento anual do MapBiomas (Coleção 11). A barra mostra a mesma área nas duas datas: o que muda aparece na linha.
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Quatro leituras do mesmo território
Os botões trocam a camada no mapa: uso da terra em 2025, declividade acima de 20°, fundos de vale de até 10 m (sem o mar) e a temperatura noturna da superfície, média de 2016 a 2025. Cada uma responde a uma pergunta diferente, e nenhuma soma as outras.
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Os quatro recortes lado a lado
Mesma legenda, mesmo tamanho de quadro. Na Grande Vitória a cidade cresce sobre a lavoura e o pasto; no litoral norte, a urbanização avança sobre a lavoura; na serra, a floresta cresce e a lavoura recua.
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Cada lugar: o slider, os anéis e o fluxo
Escolha uma estação. O mapa mostra o disco de 5 km nos dois anos, com a barra entre eles. Abaixo, a composição em anéis de 1, 2, 5 e 10 km mostra se a mudança fica perto da estação ou chega mais longe. O diagrama de fluxo (sankey) mostra para onde foi cada classe de 1985.
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Clique numa estação, ou escolha, e veja a série
Cada estação tem a sua série anual de temperatura, chuva e sensação térmica, a partir dos meses com pelo menos 80% de dados. O gráfico mostra a série da estação escolhida e a sua tendência com o teste estatístico.
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O que muda em cada recorte
Para comparar recortes com estações de anos diferentes, cada estação é comparada com a sua própria média, e a média dessas diferenças vira a linha do recorte. Escolha a variável.
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A ilha de calor, ano a ano
A diferença entre a temperatura de superfície num disco de 5 km e num anel de 20 a 30 km ao redor de cada estação, medida pelo MODIS. Arraste o ano e alterne entre dia e noite. A temperatura de superfície não é a do ar, e o anel inclui planície e mar.
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Deslizamento e alagamento não são a mesma conta
O deslizamento depende sobretudo do relevo; o alagamento depende dos fundos de vale e da cidade. A chuva forte da região pesa nos dois, mas não entra como classe em nenhum. Escolha o risco para ver a camada e a tabela de cada estação. Os limiares das classes são escolhas, não medidas.
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Quem registra a biodiversidade, e quanto
Registros de espécies publicados no GBIF em cada recorte e em discos de 5 km ao redor de cada estação. Além do volume, a tabela mostra quem envia: quanto da produção vem dos dez e dos cem nomes mais ativos, e se a observação é humana ou de coleção.
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Quanto da região está em unidades de conservação
As unidades de conservação da base mundial de áreas protegidas (WDPA, da UNEP-WCMC e da IUCN), dentro de cada recorte, e a floresta de 1985 e de 2025 dentro e fora delas. A comparação mostra onde a floresta está; não mede o efeito da proteção.
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Apoio e contraponto na literatura
As fontes sobre Vitória são estudos pontuais de temperatura de superfície por satélite e de campo térmico urbano, com ilhas de calor na mancha urbana e efeito da vegetação. Não encontramos, nas fontes que lemos, uma série longa de temperatura do ar para a cidade. Nossos dados de 2006–2025 mostram aumento da temperatura máxima sem significância estatística, e mais meses secos na Grande Vitória no limite do teste.
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Noite abafada: o calor que não dá trégua
Em Vitória, o incômodo é a noite abafada, e muita gente diz que não há mais alívio depois do pôr do sol. A mínima da Grande Vitória não tem tendência significativa; a umidade, que pesa nessa sensação, não entra nesta história.
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As ferramentas da UmaTerra, e o que cada uma acrescentou
Esta leitura usa três ferramentas da plataforma. Se você pesquisa ou escreve um relatório sobre uma área, cada uma pode entrar no seu trabalho: a biodiversidade pelo GBIF, as áreas protegidas e a imagem de cada lugar pelo uso da terra.
umaterra.com.br · Vitória
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O que esta história não diz
Não é um mapa de risco oficial. O deslizamento e o alagamento aqui são proxies de relevo e de fundos de vale, com limiares escolhidos; não substituem a carta de suscetibilidade do município.
Poucas estações, séries curtas. Venda Nova do Imigrante e Vila Velha têm 8 anos com dado; a tendência de cada recorte depende de poucas séries, e o texto diz isso.
Temperatura de superfície não é temperatura do ar. A ilha de calor do MODIS mede o que o solo e o telhado emitem; a do ar é menor e outra.
Registro publicado não é esforço. Um recorte com muitos registros no GBIF pode ter poucos observadores ativos; e a caixa inclui mar.
Áreas protegidas não explicam a floresta. Estar dentro de uma unidade não prova que a proteção funcionou; as unidades estão em relevo e cobertura diferentes.
Estação não é a cidade inteira. Cada estação representa o seu entorno imediato, e a diferença entre estações mistura altitude, distância do mar e cidade.
Percepção não é medição. A história descreve o que foi registrado; o que as pessoas sentem precisa de fonte própria.
Escrito com o Claude, da Anthropic, a partir dos dados do INMET, do MapBiomas, do MODIS, do SRTM, do GBIF e do WDPA, lidos pelo Earth Engine, pelo banco do muda-clima e pelas ferramentas da UmaTerra, e das fontes citadas. Nenhum número foi digitado à mão: cada um vem das builders da pasta de trabalho da história.
Referências
Estações: INMET, tabela stations do banco do muda-clima (6 estações em 3 recortes; Alfredo Chaves e Ecoporanga ficaram fora dos recortes; Afonso Cláudio tem série curta). Série mensal: tabela monthly_summary_comprehensive, com a razão de completude de cada mês.
MapBiomas Coleção 11, mapeamento anual do uso da terra do Brasil, 1985–2025, lido pelo Earth Engine (mapbiomas_brazil_collection11_coverage_v3). Brasil: brasil.mapbiomas.org.
Holz, Lorena & Marchioro (campo térmico urbano de Vitória, citado em busca; conferir a referência). Artigo da Caminhos de Geografia (UFU) sobre temperatura de superfície e sistemas atmosféricos em Vitória: seer.ufu.br/…/26984. (Lido pelo resumo.)
Steadman, R. G. (1994). Norms of apparent temperature in Australia. Australian Meteorological Magazine, 43, 1–16. Usada na forma simplificada (temperatura, umidade e vento médios mensais); é uma aproximação, não o índice de calor oficial. (Conferir o título e o volume.)
Wan, Z.; Hook, S.; Hulley, G. (2021). MOD11A2 MODIS/Terra Land Surface Temperature/Emissivity 8-Day L3 Global 1km, v061. DOI 10.5067/MODIS/MOD11A2.061. Temperatura de superfície, não do ar.
Farr, T. G. et al. (2007). The Shuttle Radar Topography Mission. Reviews of Geophysics 45, RG2004. DOI 10.1029/2005RG000183. Relevo de 30 m (SRTM, USGS/SRTMGL1_003). Declividade e fundos de vale são proxies, não mapa de suscetibilidade.
Literatura citada no texto:
Caminhos de Geografia (UFU). Influência de sistemas atmosféricos na temperatura de superfície de Vitória (ES). link. (Lido pelo resumo.)
UFES. Identificação e análise do fenômeno das ilhas de calor urbano no município de Vitória, ES. dspace5.ufes.br/handle/10/19912. (Conferir autoria e ano.)
Research, Society and Development (2020). Temperatura de superfície com Landsat-8 em Vitória: menores valores de NDVI com maiores temperaturas, exceto o oceano. link. (Lido pelo resumo.)
Zandonadi (2025), dissertação da UFES sobre distribuição da vegetação e microclimas em Vitória (citada em busca; conferir).
GBIF.org. GBIF Occurrence Search API, contagens agregadas (facetas) de registros publicados, 2000–2025, na caixa de cada recorte e em discos de 5 km ao redor das estações, consultadas com a ferramenta GBIF do Naturametrics. Contagens de registros publicados, não de esforço de campo. gbif.org.
UNEP-WCMC e IUCN. Protected Planet: the World Database on Protected Areas (WDPA), polígonos atuais (WCMC/WDPA/current/polygons) lidos no Earth Engine, do Brasil, nas caixas dos recortes. Área declarada (REP_AREA), não medida. protectedplanet.net.
Ferramentas da UmaTerra usadas nesta história: Naturametrics (ferramenta GBIF), Yvynation (terras protegidas, mesmo caminho do WDPA) e Camposcope (análise de imóveis rurais, não usada nesta versão).