Três metrópoles que crescem, Houston, Goiânia e Kelowna, e o clima em que crescem
As mesmas ferramentas em três países: quanto cada metrópole cresceu, o que o crescimento tomou e o que os cenários climáticos indicam para o calor, a seca, o fogo e a chuva forte. Lido em cenários, não em previsão: o sinal é largo, e é o lugar que decide o que fica exposto.
Carregando os números…
—habitantes na área metropolitana de Houston, 1º de julho de 2025 medido
—habitantes na região metropolitana de Goiânia, estimativa do IBGE de 2025 medido
—habitantes na região metropolitana de Kelowna, 1º de julho de 2025 medido
—vezes a área construída em Goiânia em 30 anos, círculo de 25 km (1990–2020) medido
medido por tabela oficial, estação ou satélite.
estimado uma leitura que depende de uma escolha (uma grade, um modelo, um limiar).
ausente uma parte que não respondeu neste cálculo.
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Três metrópoles, três países, as mesmas ferramentas
Houston, nos Estados Unidos, Goiânia, no Brasil, e Kelowna, no Canadá, são metrópoles que crescem depressa nos números oficiais de cada país, e cada uma já tem uma história de clima contada pela UmaTerra. Em 2024–25, Houston foi a área metropolitana que mais ganhou gente nos Estados Unidos. Esta história lê as três com os mesmos dados de satélite e com as ferramentas da UmaTerra: quanto cada uma cresceu, o que o crescimento tomou e o que os cenários climáticos indicam para o calor, a seca, o fogo e a chuva forte. Lê em cenários, não em previsão.
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O que as tabelas oficiais dizem
Cada país define sua área metropolitana de um jeito: nos Estados Unidos, uma área estatística com base em condados; no Canadá, uma região metropolitana de censo, formada por municípios ligados pelo deslocamento diário; no Brasil, uma região metropolitana instituída em lei, cuja lista de municípios o IBGE publica. As três séries abaixo vêm das tabelas oficiais de cada país e cobrem períodos diferentes; não são a mesma régua.
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O que o satélite vê
À esquerda da barra, a área de 50 km em torno do centro vista pelo Landsat 5 em meados dos anos 1980; à direita, pelo Sentinel-2 em 2025. As linhas mostram a janela legal de cada metrópole e os círculos fixos de 10, 25 e 50 km, que são a régua comum da história. Escolha a cidade no seletor e arraste a barra.
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Quanto cresceu a mancha urbana
O Global Human Settlement Layer (GHSL) mede a superfície construída em células de 100 m, de 1975 a 2030. Esta história usa só as épocas observadas, até 2020: as de 2025 e 2030 são projeções e ficam de fora. O gráfico põe as três cidades na mesma base, 1990 igual a 100, para comparar o ritmo; a tabela dá os hectares.
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Cresceu para cima ou para os lados?
Dividir a população pela superfície construída dá a densidade da mancha urbana. Para ter uma série contínua usamos a população modelada do GHSL; ela é uma estimativa, e a tabela a confronta com os números oficiais onde os anos coincidem. Densidade que cai enquanto a cidade cresce indica expansão para fora; que se mantém, adensamento.
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Em que anel foi parar o crescimento
O mapa mostra, por cor, a época em que cada célula de 100 m passou a ser construída, até 2020. O gráfico soma a superfície construída nova entre 1990 e 2020 em quatro anéis de distância do centro. É a leitura mais direta de onde a cidade cresceu: perto do centro, no meio, ou na periferia distante.
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Os usos da terra, em cada país, de 1985 a 2025
Cada país tem o seu mapa de uso da terra: o MapBiomas no Brasil, o Annual NLCD nos Estados Unidos e o Inventário Anual de Culturas no Canadá. Não são o mesmo produto e não se somam. A tabela mostra, num círculo de 10 km, o uso da terra no início e no fim da série em dois lugares de cada cidade: um urbano e um rural. No Canadá o inventário é agrícola, começa em 2011 e mudou de classes de mato entre versões; por isso só a cidade, a água e a floresta são lidas com confiança.
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A copa que sumiu, e por quê não dá para dizer
O Hansen conta toda perda de cobertura arbórea desde 2001, venha de corte, fogo, tempestade ou praga. Por isso não é um mapa de desmatamento: ao lado da cidade que cresce ele registra também o fogo de Kelowna em 2023 e o corte de plantios. O mapa mostra a perda por período; o gráfico, os hectares por ano no círculo de 25 km.
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O cenário é largo; o lugar decide o que fica exposto
Os modelos climáticos enxergam em células de cerca de 25 km: todo o círculo de uma cidade recebe o mesmo sinal, e em Kelowna os dois lugares caem na mesma célula. O que muda de um lugar para o outro é o que existe no chão. A tabela cruza, em cada lugar, o uso da terra com o que os modelos indicam para a célula e mostra quanto da área é sensível a cada perigo. É um modo de dizer que esses números largos pedem informação local para serem lidos, e que nenhum deles é uma previsão para a sua rua.
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A propriedade e a parcela, vistas de perto
O Camposcope analisa uma propriedade rural pelo cadastro do Brasil (o CAR, autodeclarado) ou uma parcela do cadastro da Colúmbia Britânica. Aqui ele lê quatro exemplos: em Goiânia, um imóvel na borda urbana e um rural; em Kelowna, uma parcela urbana e uma rural, ambas de governo local, para não expor a casa de ninguém. Os Estados Unidos ainda não estão no Camposcope: a cobertura está em expansão, e Houston fica de fora desta página.
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Dias quentes desde 1981, no que foi medido
A reanálise ERA5-Land dá a temperatura máxima diária desde 1950 em células de cerca de 9 km. Contamos, para cada ano, os dias em que a máxima passou de 30 °C, que serve de régua comum às três cidades, e os que passaram do limiar que cada país usa. É o que já aconteceu, antes de qualquer cenário.
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Três países, três limiares
A ferramenta de clima da UmaTerra usa, para o dia quente, 30 °C no Canadá, 32,2 °C (90 °F) nos Estados Unidos e 35 °C no Brasil: no Canadá 35 °C quase não ocorre, e o limiar tem de significar algo no lugar. A contagem de dias por cada limiar mede coisas diferentes e não se compara entre as cidades. Também não se compara entre ferramentas: os cenários usam uma grade de 25 km corrigida por viés, a reanálise uma de 9 km, e o número de dias quentes de uma não vale na outra. O que se compara é a mudança em graus, e é ela que a página de cenários usa.
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O centro contra o anel, pelo satélite
O MODIS mede a temperatura da superfície do solo desde 2000, em pixels de 1 km, dia e noite. Comparamos o núcleo de 5 km em torno do centro com um anel de 20 a 30 km, na estação quente de cada cidade, sem os pixels de água. É a diferença medida de superfície, não do ar, e o anel pode ter relevo e vegetação diferentes: ela não atribui o calor ao crescimento da cidade.
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Exposição, não previsão
Nove modelos climáticos do CMIP6, reduzidos de escala pela NASA, comparam 2041–2070 com a linha de base de 1985–2014 em dois cenários de emissões: o intermediário (SSP2-4.5) e o alto (SSP5-8.5). Um perigo conta como presente quando a mediana dos modelos passa de um limite e pelo menos dois terços concordam no sinal; como forte, num limite mais alto com pelo menos 80%. O resultado descreve o que os modelos indicam para uma célula, nunca o tempo de um ano nem a rua de ninguém.
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Quanto esquenta, e quantos dias a mais
A mudança da temperatura média e do dia mais quente do ano, em graus, é a medida comparável entre as três cidades. A tabela traz ainda os dias quentes de cada país, que só se leem dentro da própria cidade. O quadro global é o do IPCC: 2,0 °C acima de 1850–1900 no cenário intermediário e 2,4 °C no alto, em 2041–2060.
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Menos chuva, mais evaporação, mais dias secos
A seca é lida por três números: os dias secos por ano, a chuva anual e o balanço hídrico, que é a chuva menos a evaporação possível. Um ano mais quente com a mesma chuva termina mais seco; por isso o balanço pode piorar mesmo onde a chuva não muda. O perigo aparece como presente ou forte pela regra da página anterior.
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O fogo visto pelo satélite e o tempo de fogo nos cenários
O mapa mostra os anos em que cada pixel de 500 m queimou entre 2001 e 2025, pelo MODIS. O gráfico soma o que queimou por ano no círculo de 25 km. Para o futuro, o índice canadense de tempo de fogo (FWI) conta dias de perigo alto e extremo nos cenários. O tempo de fogo é uma condição, não um incêndio, e o calor e a seca o impulsionam em muitas regiões.
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A água que já ficou e a que os modelos indicam
O mapa mostra a água que o satélite viu em pelo menos um quarto das imagens desde 1984, e, em Houston, a leitura da cheia do Harvey em 2017 por radar. Para o futuro, os modelos dão a mudança do dia de chuva mais forte e dos dias de chuva forte; mais calor comporta mais vapor de água, e as chuvas extremas tendem a se intensificar. Os eventos de Houston e de Kelowna têm histórias próprias, ligadas ao final.
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Com que lugar de hoje o clima de cada cidade se parece em 2041–2070
Para imaginar um clima futuro, a ferramenta procura a célula cujo clima de hoje é o mais próximo do que os modelos indicam para a cidade: temperatura média, chuva anual e dias secos. A leitura compara três médias anuais, não os extremos, as estações nem o solo; diz com que lugar o clima se parece, não que a terra será como a de lá.
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Um El Niño forte, e o que as temporadas passadas mostram
O Climate Prediction Center da NOAA acompanha um El Niño em curso, forte pelo índice relativo (RONI). Para cada cidade, a tabela agrupa as temporadas de outubro a março desde 1981 pela fase do ENSO e mostra a chuva média e quantas delas ficaram abaixo do normal. São poucos eventos fortes, e um só pode carregar a média. Os modelos também não concordam sobre como o próprio ENSO mudará num clima mais quente.
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Calor, seca, fogo e chuva forte, nos dois cenários
A matriz resume, para a célula de cada cidade, o nível de cada perigo (0 sem sinal, 1 presente, 2 forte) nos dois cenários, com quantos dos nove modelos concordam no sinal da mudança. Ela mostra onde o sinal é robusto e onde é fraco; não diz o que acontecerá em um ano nem onde dentro da célula.
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Sorteando lugares sujeitos a cada perigo
Dentro do círculo de 25 km de cada cidade, três estratos: baixada (altura acima da drenagem de até 3 m), fogo repetido (queimado em pelo menos dois anos entre 2001 e 2025) e calor (o décimo mais quente da temperatura de superfície diurna). De cada estrato, um sorteio com semente fixa escolhe quatro pontos, e o serviço de buffers do Naturametrics lê um círculo de 1 km em volta de cada um: cobertura do solo, área construída, temperatura, anos queimados e altura da drenagem. Um estrato vazio fica vazio.
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Três cidades, as mesmas perguntas, respostas diferentes
A tabela final reúne o que a história mediu, cidade por cidade, sem ordená-las: o crescimento, a forma do crescimento, o calor que já veio, o sinal do cenário intermediário e a ilha de calor. As diferenças vêm do lugar, da definição de metrópole e do dado; a história não afirma que uma cidade esteja melhor ou pior preparada.
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Carregando os números…
O que esta história não diz
Não é uma previsão. Os cenários descrevem o que nove modelos indicam para uma célula de 25 km em 2041–2070, não o tempo de um ano nem o que ocorrerá em um bairro. Os dois lugares de uma cidade só se distinguem pelo que há no chão, e em Kelowna caem na mesma célula.
As três metrópoles não são definidas da mesma forma. Uma área estatística de condados, uma região de censo por deslocamento e uma região metropolitana legal têm tamanhos e lógicas diferentes; por isso a régua comum da história são os círculos fixos de 10, 25 e 50 km.
A área construída e a população do GHSL são modeladas. Só as épocas até 2020 são usadas; as anteriores vêm de imagens de resolução menor e o construído é uma superfície por célula, não um mapa de edifícios. A população é uma estimativa e difere da contagem oficial.
Os limiares de dia quente mudam de país. A contagem de dias é por limiar do país e não se compara entre cidades nem entre a grade dos cenários e a reanálise; compara-se a mudança em graus.
A temperatura de superfície não é a do ar. O MODIS mede o solo e o topo da copa em pixels de 1 km; o anel de 20 a 30 km tem relevo e vegetação próprios (em Kelowna, colinas e floresta). A diferença não atribui o calor ao crescimento da cidade.
Perda de copa não é desmatamento, e cada país tem o seu mapa de uso da terra. O Hansen conta fogo, corte, tempestade e praga; o MapBiomas, o NLCD e o inventário do AAFC são produtos diferentes, e o último é agrícola e mudou de classes entre versões: no Canadá só a cidade, a água e a floresta são lidas com confiança.
O El Niño tem poucos eventos fortes na amostra. Cinco El Niños fortes desde 1981: um só pode carregar a média. Os modelos não concordam sobre como o ENSO mudará.
O Camposcope e os sorteios são exemplos, não amostras. São quatro imóveis, dois por cidade; o CAR é autodeclarado e o Camposcope ainda não cobre os Estados Unidos. Os sorteios têm semente e desenho documentados, mas quatro pontos por estrato não representam a cidade; em Houston a baixada de até 3 m cobre a maior parte do círculo e não discrimina, e o estrato de fogo repetido está vazio.
O que não está aqui. A vulnerabilidade das pessoas, a infraestrutura, a adaptação e os custos: a história mede crescimento e exposição climática, e deixa a pergunta de quem está mais exposto, e por quê, para o trabalho local.
Escrito com o Claude Sonnet 5.5, da Anthropic, a partir das tabelas e dos artigos citados e dos números que o Earth Engine e as ferramentas da UmaTerra calcularam: nenhum fato ou número sai do modelo. English version.
Notas e referências
US Census Bureau. Metropolitan and Micropolitan Statistical Areas Population Totals: 2020–2025 (Vintage 2025, arquivo cbsa-est2025-alldata.csv), Houston-Pasadena-The Woodlands, TX (CBSA 26420). Limites: cartographic boundary file 2023. census.gov.
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Schiavina, M., Freire, S., & MacManus, K. (2023). GHS-POP R2023A: GHS population grid multitemporal (1975–2030). European Commission, JRC. doi:10.2905/2FF68A52-5B5B-4A22-8F40-C41DA8332CFE. População modelada a partir de censos desagregados pelo construído: uma estimativa, não uma contagem.
Imagens: Landsat 5 TM Collection 2 Level 2 (USGS/NASA), mediana de 1984–1986 (Houston, Goiânia) e de junho a setembro de 1984–1991 (Kelowna, onde as cenas de neve enchem o resto do ano); Sentinel-2 SR harmonizado (Copernicus/ESA), mediana de maio a setembro de 2025, nuvens e sombras mascaradas. Lidas no Earth Engine.
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Uso da terra, como o lê o muda-clima: MapBiomas Coleção 11 (Brasil, 1985–2025), Annual NLCD do USGS (Estados Unidos continentais, 1985–2025) e Inventário Anual de Culturas do AAFC (Canadá, 2009–2025, nacional desde 2011; um inventário agrícola cujas classes de mato mudaram entre versões). Grupos de exposição do muda-clima.
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As ferramentas da UmaTerra usadas aqui: o muda-clima (cenários, uso da terra, análogo climático e ENSO), o Camposcope (CAR no Brasil, ParcelMap BC no Canadá) e o serviço de buffers do Naturametrics; não há descrição pública da ferramenta além das páginas dos aplicativos. Limiares de dia quente do muda-clima: 30 °C Canadá, 32,2 °C Estados Unidos, 35 °C Brasil.
Definições de área metropolitana: Estados Unidos, core-based statistical area (OMB; base em condados); Canadá, census metropolitan area (Statistics Canada; núcleo urbano mais municípios com forte ligação de deslocamento); Brasil, região metropolitana instituída por lei estadual e listada pelo IBGE. As três não são equivalentes.