Porquinhos e Bacurizinho: o que acontece com a terra enquanto a ampliação espera
Duas terras indígenas do Maranhão, homologadas em 1983, ganharam estudos de ampliação no começo dos
anos 2000. As ampliações foram declaradas, mas nunca homologadas. Esta história mede, com quarenta anos de satélite, o
que aconteceu com a terra nova enquanto ela esperava: dentro da terra antiga, na faixa ampliada e em volta.
Carregando os números das plataformas…
—o desmatamento na ampliação da Bacurizinho durante o estudo, comparado ao da terra de 1983 real
—da copa de 2000 perdida: ampliação · terra de 1983, Bacurizinho real
—da copa de 2000 perdida: ampliação · 10 km em volta, Porquinhos real
—de pasto na ampliação da Bacurizinho em 2025 real
real medido por satélite ou pela própria geometria.
declarado como o catálogo oficial publica.
estimado projetado por modelos de clima.
ausente uma parte que não respondeu desta vez.
1
Duas terras, duas ampliações
A Bacurizinho, do povo Guajajara, fica em Grajaú; a Porquinhos, dos Canela Apãnjekra, em Fernando Falcão e Barra do Corda.
No catálogo de terras indígenas da FUNAI, cada uma aparece duas vezes: a terra de 1983 e a ampliação, que a contém.
2
Uma demarcação parada no meio
Uma terra indígena passa por fases: estudo, delimitação, declaração pelo Ministério da Justiça, homologação por decreto
e registro. Só depois da homologação o limite costuma ser marcado no chão.
3
Separar a terra nova da antiga
O Yvynation sempre compara uma área com os 10 km em volta dela. Aqui fazemos uma zona a mais: a faixa que a ampliação
acrescentou, sozinha, para que a terra antiga não esconda o que aconteceu na nova.
4
Quarenta anos de cobertura
O MapBiomas classifica cada pixel de 30 m do Brasil todo ano desde 1985. Cada par de barras é uma zona em 1985 e em 2025.
5
Enquanto a ampliação era estudada
O MapBiomas também marca, ano a ano, onde a vegetação nativa foi suprimida pela primeira vez. Para comparar zonas de
tamanhos diferentes, cada linha é o desmatamento por 1.000 ha da própria zona. As marcas são o começo do estudo e a declaração.
6
2008 em 5 metros: a imagem do ano do corte
O ano de 2008 pesa duas vezes aqui: é o ano em que a ampliação foi declarada e o do marco do Código Florestal, 22 de julho
de 2008, que separa a área rural consolidada do desmatamento posterior. O mosaico SPOT de 2008 do Google, com 5 a 10 m de
resolução, é a única imagem detalhada daquela época, e cada pixel traz a sua data. O Camposcope o usa para ler imóveis do CAR.
Na janela, centrada no desmatamento que o MapBiomas mapeia na faixa ampliada durante o estudo, procure as aberturas de bordas retas e os carreadores.
7
A mesma janela no MapBiomas de 2008
Agora a mesma janela classificada pelo MapBiomas, pixel de 30 m. Role para cima e para baixo para comparar: a imagem mostra
o que estava lá; a classificação diz em que classe cada pedaço entrou nas contas desta história.
8
Uma segunda medida da mesma diferença
O Hansen/GLAD mede outra coisa: a copa de árvores perdida desde 2001, por qualquer causa. Se as duas medidas apontam
para o mesmo lado, a diferença não é um artefato de um só mapa.
9
Porquinhos: a ampliação mais desmatada que a vizinhança
A mesma leitura na outra terra. A ampliação da Porquinhos é quase três vezes maior que a terra de 1983 e foi declarada dois anos depois da Bacurizinho.
10
O fogo do cerrado não é desmatamento
O MapBiomas Fogo mapeia as cicatrizes de queimada todo ano. No cerrado, queimar faz parte do ciclo da paisagem, e o manejo
do fogo é parte da vida nas aldeias.
11
O que o IBAMA já registrou
O Naturametrics lê os embargos e autos de infração do IBAMA em volta de qualquer ponto. Escolhemos um ponto no meio da faixa ampliada da Bacurizinho.
12
O calor que vem pela frente
O muda-clima junta o uso do solo de um círculo de 5 km, nove modelos climáticos CMIP6 e quarenta anos de clima medido, no mesmo ponto.
13
O futuro em três leituras
Uma projeção não diz como será um verão: ela compara dois climas de 30 anos, 1985–2014 e 2041–2070, e cada modelo é
medido contra o próprio passado. O muda-clima só fala de um perigo quando pelo menos dois terços dos modelos
concordam no sinal. Três leituras ajudam a imaginar esse futuro: que mundo é (o aquecimento global do IPCC) e
onde esse clima já existe hoje; quantos dias de fogo extremo o lugar terá; e a classe climática dentro
do círculo, num mapa de 1 km independente.
14
El Niño, La Niña e o clima que vem
A tendência de décadas não é tudo: de um ano para outro, o El Niño e a La Niña mudam a chuva e o calor bem mais do
que ela. O muda-clima lê o estado agora pelo índice relativo da NOAA (RONI, que não confunde oceano mais quente com El
Niño), agrupa as estações de outubro a março já medidas aqui por fase e, por fim, desloca essas mesmas estações pela
mudança projetada para 2041–2070. É uma leitura exploratória: poucas estações por fase, e os modelos não concordam
sobre como o próprio ENSO vai mudar.
15
De onde vem cada número
Cada número desta página saiu dos serviços das próprias plataformas, com a fonte e a escala.
umaterra.com.br · Porquinhos e Bacurizinho
Carregando…real
Carregando os números…
O que esta história não diz
Não diz quem desmatou. Os registros do IBAMA aparecem sem nomes, e um auto de infração não é uma condenação.
Não julga a demarcação. Por que as ampliações pararam na declaração é uma questão do processo administrativo e judicial, não do satélite.
Não atribui a diferença à demarcação. A faixa ampliada fica na borda, mais perto de estradas e fazendas; o limite ajuda a explicar a diferença, mas não a explica sozinho.
Não vê abaixo de 30 m. Roças pequenas e o corte seletivo sob a copa escapam do MapBiomas e do Hansen.
Escrita com o Claude Opus 5.5, da Anthropic, a partir dos números que as plataformas calcularam: nenhum
número vem do modelo. English version.
Notas
O catálogo traz as duas versões de cada terra com códigos próprios: Bacurizinho 4901 (homologada) e 4902
(ampliação declarada); Porquinhos 36601 (homologada) e 36602, Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (ampliação declarada). A terra de
1983 fica inteira dentro da ampliação, nos dois casos.
FUNAI, catálogo de terras indígenas, como o Yvynation o publica.
Nas rodadas de teste feitas durante o desenvolvimento das plataformas, comparamos o polígono homologado com o
polígono da ampliação inteiro e encontramos uma diferença de 1,75 a 1,91 vez na perda de floresta, dentro da faixa de efeito de
proteção da literatura (Pfaff e Robalino, 2017). A Bacurizinho é um dos estudos de caso do projeto de doutorado. Separar a faixa
ampliada da terra antiga mostra que essa média esconde uma diferença maior.
Biondo, L. M., rodadas de teste do projeto de doutorado Mapping the Relationship Between Forest Coverage
and Policy Processes in Brazil: A Comparative Study of Indigenous Lands using geospatial bigdata (1985-Present), University of
British Columbia Okanagan (proposta, 2025).
O desmatamento primário do MapBiomas marca o ano em que um pixel de vegetação nativa passa a uso
agropecuário pela primeira vez; a vegetação secundária, quando ele volta. São camadas da Coleção 11, a mesma das plataformas.
MapBiomas, Coleção 11, desmatamento e vegetação secundária.
Embargos e autos de infração são dados públicos do IBAMA. A plataforma guarda deles só a data, o tamanho e o
lugar; nenhum nome ou documento aparece aqui.
IBAMA, dados abertos de embargos e autos de infração.
O mosaico Google Brazil Forest 2008 foi montado com imagens SPOT de cerca de 2008, só sobre as áreas florestais
do Brasil, e tem uma banda com a data de aquisição de cada pixel. Uma imagem tirada depois de 22 de julho de 2008 não mostra a
data do corte; por isso o Camposcope sempre mostra a data junto, e não classifica área consolidada, que é uma decisão do órgão ambiental.
Google LLC, Brazil Forest Imagery Dataset 2008; Lei 12.651/2012 (Código Florestal), art. 3º, IV.