Em 7 de janeiro de 2025, no meio de um inverno seco e sob ventos fortes de Santa Ana, um incêndio começou
nas montanhas de Santa Mônica, acima de Pacific Palisades, em Los Angeles, e desceu até o mar passando por serra e bairros. Esta
história mede o fogo a partir do satélite, pergunta quanto do que queimou era cidade, confere o que os mapas oficiais
registraram e lê no muda-clima o clima que vem pela frente.
Carregando os números…
—dentro do contorno da queimada estimado pelo Sentinel-2 estimado
—de terra urbanizada dentro desse contorno estimado
—de floresta num círculo de 5 km, Annual NLCD 2024 → 2025 real
—do círculo exposto a tempo de fogo estimado
real medido por satélite ou pela própria geometria.
estimado projetado por modelos de clima, ou uma leitura que depende de um limiar.
ausente uma parte que não respondeu desta vez.
1
Uma queimada, e um círculo dentro dela
As outras plataformas UmaTerra (Naturametrics, Camposcope, Yvynation) não cobrem os Estados Unidos. Esta história passa pelo
muda-clima, que cobre, e por camadas de satélite preparadas para esta página no Earth Engine.
2
O que havia antes
O Annual National Land Cover Database (USGS) classifica cada pixel de 30 m dos 48 estados contíguos, ano a ano desde 1985.
O muda-clima o lê para qualquer círculo no país.
3
A queimada, medida do espaço
Uma queimada aparece no infravermelho: a folha viva reflete o infravermelho próximo e absorve o de ondas curtas; cinza e
solo nu fazem o contrário. A diferença do índice de queimada antes e depois do fogo (dNBR) dá a severidade, nas faixas que
o Serviço Geológico dos EUA usa.
4
Onde a serra encontra a cidade
Cruzar a queimada com o mapa de cobertura da terra de 2024 diz quanto da área queimada era cidade, e não encosta. O mapa
se aproxima de Pacific Palisades.
5
O que o mapa anual registrou
A edição de 2025 do Annual NLCD já cobre o ano do fogo. A pergunta é o que um mapa de cobertura da terra consegue
registrar dele.
6
Uma serra que queima, e um registro que atrasa
O MTBS (Monitoring Trends in Burn Severity, USFS e USGS) mapeia todo incêndio grande do país desde 1984. Cada coluna é o que
queimou, num ano, dentro do contorno deste ano.
7
O clima que vem pela frente
Para os Estados Unidos, o muda-clima usa nove modelos CMIP6 regionalizados pela NASA (NEX-GDDP), o índice de tempo de fogo
calculado sobre eles (NEX-GDDP-FWI) e quarenta anos de clima medido. A pergunta é a que mudanças esta terra está exposta,
não se vai queimar de novo.
8
O futuro em três leituras
Uma projeção compara dois climas de 30 anos, 1985–2014 e 2041–2070, e cada modelo é medido contra o seu próprio passado.
O muda-clima só fala de um perigo quando pelo menos dois terços dos modelos concordam no sinal.
9
El Niño, La Niña e o clima que vem
A tendência de décadas não é tudo: de um ano para outro, o El Niño e a La Niña mudam a chuva e o calor bem mais do
que ela. O muda-clima lê o estado agora pelo índice relativo da NOAA (RONI, que não confunde oceano mais quente com El
Niño), agrupa as estações de outubro a março já medidas aqui por fase e, por fim, desloca essas mesmas estações pela
mudança projetada para 2041–2070. É uma leitura exploratória: poucas estações por fase, e os modelos não concordam
sobre como o próprio ENSO vai mudar.
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A história, em palavras
O muda-clima também escreve o resultado em parágrafos, para quem não lê gráficos.
11
De onde veio cada número
Todo número desta página saiu do Earth Engine ou do próprio serviço do muda-clima, com fonte e escala.
umaterra.com.br · Palisades 2025
Carregando…real
Carregando os números…
O que esta história não diz
Não conta casas nem pessoas. Construções destruídas, mortes e evacuações estão nos registros do CAL FIRE e do
condado; um índice de vegetação e um mapa de 30 m não enxergam prédios.
Não aponta a causa do fogo nem julga a resposta. Isso cabe aos investigadores.
O contorno é uma estimativa. Vem de um limiar sobre o Sentinel-2, não do perímetro oficial, e pode deixar de fora
quarteirões queimados onde havia pouca vegetação a perder.
Não prevê o próximo incêndio. O clima projetado é uma média de trinta anos; nenhum modelo diz qual inverno vai queimar.
Escrito com o Claude Opus 5.5, da Anthropic, a partir dos números que o Earth Engine e o muda-clima
calcularam: nenhum número sai do modelo. English version.
Notas
NBR = (NIR − SWIR2) / (NIR + SWIR2), sobre medianas de cenas do Sentinel-2 sem nuvem, de 1º/11/2024 a 6/1/2025
e de fevereiro a março de 2025. Faixas de severidade: 0,10 baixa, 0,27 moderada, 0,66 alta. O contorno é o núcleo de
severidade moderada ou alta, suavizado em 60 m, em pedaços acima de 50 ha. A chuva de inverno esverdeia a serra não
queimada entre as duas datas, o que puxa o dNBR para baixo, nunca para cima. O MTBS, registro oficial que vai mapear este
fogo, ainda não o tinha quando esta página foi feita.
Key & Benson (2006), Landscape Assessment, USDA Forest Service RMRS-GTR-164-CD; Copernicus Sentinel-2.
“Urbanizada”, no NLCD, é terra com superfície impermeável a 30 m: casas, ruas, mas também os jardins entre elas.
O dNBR mede a perda de vegetação; uma casa queimada num lote sem plantas pode aparecer com severidade baixa, e um jardim
queimado com severidade alta. Isto conta terra, não prédios.
USGS, Annual NLCD Collection 1; Radeloff et al. (2005), Ecological Applications 15, 799–805.
O Annual NLCD muda a classe de um pixel quando a cobertura muda; uma casa queimada deixa o asfalto e as fundações,
e o pixel continua urbanizado. A reconstrução também não vai aparecer nele.
USGS, Annual NLCD Collection 1 (1985–2025).
O muda-clima conta área, não dano. O tempo de fogo é um índice calculado a partir dos modelos de clima
(temperatura, umidade, vento, chuva), não uma previsão de incêndio, e não enxerga um a um os episódios de vento de Santa Ana.
Thrasher et al., NASA NEX-GDDP-CMIP6; NASA NEX-GDDP-FWI; Biondo, Exposure, not prediction (manuscrito em preparação, 2026).