Katrina, 2005: a cidade sob a água e o que os mapas guardaram
O furacão Katrina chegou à costa do Golfo do México em 29 de agosto de 2005. Em Nova Orleans, a maré de
tempestade rompeu diques e muros de contenção, e a maior parte da cidade, que fica abaixo do nível do lago e do rio, se
encheu de água. Nove dias depois o Landsat 5 a fotografou quase sem nuvens. Esta história mede a inundação nessa imagem,
pergunta o que dois registros oficiais de água e de cobertura da terra guardaram dela e lê no muda-clima o clima que vem pela frente.
Carregando os números…
—de terra urbanizada sob água em 7 de setembro de 2005 estimado
—da terra urbanizada do Lower Ninth Ward sob água nesse dia estimado
—disso que o mapa global de água conta como água nova real
—de um círculo de 5 km a até 5 m da drenagem real
real medido por satélite ou pela própria geometria.
estimado projetado por modelos de clima, ou uma leitura que depende de um limiar.
ausente uma parte que não respondeu desta vez.
1
Uma cidade entre um lago e um rio
As outras plataformas UmaTerra (Naturametrics, Camposcope, Yvynation) não cobrem os Estados Unidos. Esta história passa pelo
muda-clima, que cobre, e por camadas de satélite preparadas para esta página no Earth Engine.
2
O que havia antes
O Annual National Land Cover Database (USGS) classifica cada pixel de 30 m dos 48 estados contíguos, ano a ano desde 1985.
O muda-clima o lê para qualquer círculo no país.
3
Nove dias depois, ainda sob a água
No infravermelho de ondas curtas, a água é quase preta e a folha é clara. Comparar a cena de 7 de setembro com a de 22 de
agosto separa o chão que escureceu com a água do que já era rio, canal ou
lago.
4
Um mapa de água que não vê a cidade alagada
O JRC Global Surface Water mapeia, mês a mês desde 1984, cada pixel de 30 m onde o Landsat viu água. É a referência para
rios, lagos e represas do mundo todo.
5
O bairro que o mapa de cobertura não vê vazio
O Lower Ninth Ward, entre o canal industrial e a paróquia de St. Bernard, foi alagado pelas rupturas do muro do canal e
ficou vazio por anos. O mapa mostra a cobertura da terra de 2025 sobre ele.
6
Onde o mapa registrou a tempestade
A leste da cidade ficam mata de pântano e brejo aberto. O mapa mostra a cobertura de 2006, a primeira depois da tempestade.
7
O quarteirão hoje
As fotos aéreas da agência agrícola dos EUA (NAIP) veem a cidade casa por casa, a 2 m em 2005 e a 0,3 m hoje. Um quadro do
Lower Ninth Ward, antes da tempestade e dezoito anos depois, diante do que os mapas de 30 m dizem do mesmo
quadro.
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Terreno baixo
O muda-clima lê o terreno do círculo junto com a cobertura da terra: encostas íngremes, chão perto da drenagem, água que
vai e vem.
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O clima que vem pela frente
Para os Estados Unidos, o muda-clima usa nove modelos CMIP6 regionalizados pela NASA (NEX-GDDP) e quarenta anos de clima
medido. A pergunta é a que mudanças esta terra está exposta, não quando vem a próxima tempestade.
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O futuro em três leituras
Uma projeção compara dois climas de 30 anos, 1985–2014 e 2041–2070, e cada modelo é medido contra o seu próprio passado.
O muda-clima só fala de um perigo quando pelo menos dois terços dos modelos concordam no sinal.
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El Niño, La Niña e o clima que vem
A tendência de décadas não é tudo: de um ano para outro, o El Niño e a La Niña mudam a chuva e o calor bem mais do
que ela. O muda-clima lê o estado agora pelo índice relativo da NOAA (RONI, que não confunde oceano mais quente com El
Niño), agrupa as estações de outubro a março já medidas aqui por fase e, por fim, desloca essas mesmas estações pela
mudança projetada para 2041–2070. É uma leitura exploratória: poucas estações por fase, e os modelos não concordam
sobre como o próprio ENSO vai mudar.
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A história, em palavras
O muda-clima também escreve o resultado em parágrafos, para quem não lê gráficos.
13
De onde veio cada número
Todo número desta página saiu do Earth Engine ou do próprio serviço do muda-clima, com fonte e escala.
umaterra.com.br · Katrina 2005
Carregando…real
Carregando os números…
O que esta história não diz
Não conta o dano às pessoas. Mortes, deslocamento e quem voltou estão no censo e nos registros das autoridades,
não nos de um satélite.
Não mede profundidade nem duração. Uma cena, num dia, diz onde a água estava, não quão funda nem por quanto tempo;
em 7 de setembro as bombas já trabalhavam havia dias.
Não julga os diques. Por que falharam é registro dos engenheiros e dos tribunais.
Não prevê o próximo furacão. Os modelos de clima usados aqui não simulam tempestades tropicais, e uma média de
trinta anos não diz qual temporada trará uma.
Escrito com o Claude Opus 5.5, da Anthropic, a partir dos números que o Earth Engine e o muda-clima
calcularam: nenhum número sai do modelo. English version.
Notas
Um pixel conta como alagado quando, em 7 de setembro, a sua refletância no SWIR1 (banda 5) está abaixo de 0,10
e caiu mais de 0,06 desde 22 de agosto, ele não era água antes (MNDWI acima de 0 em 22 de agosto, ou água em mais da
metade do registro do JRC) e está numa mancha de pelo menos dez pixels. Os limiares foram escolhidos a olho contra a cena
em falsa cor, então a área é uma estimativa; um telhado escuro ou uma sombra nova podem passar, uma lâmina rasa sob uma
árvore pode faltar.
USGS Landsat 5 TM Collection 2 Level-2, órbita 22, ponto 39.
O mapa de água do JRC classifica cada cena do Landsat com um modelo treinado em água aberta; um mês conta como
água se a maioria das vistas limpas do pixel a viu. Sob uma cidade alagada, o pixel mistura água com telhados e árvores, e
não é chamado de água.
Pekel et al. (2016), Nature 540, 418–422.
“Urbanizada”, no NLCD, é terra com superfície impermeável a 30 m. Asfalto e fundações ficam depois que uma casa
é demolida, e a classe se mantém; só um lote que virasse campo aberto no pixel inteiro passaria a “urbanizada, espaço
aberto”. O que este mapa não diz, o censo e os cadastros de endereços dizem.
USGS, Annual NLCD Collection 1 (1985–2025).
O muda-clima conta área, não dano. A leitura de chuva forte é a chuva diária dos modelos de clima; a maré de
tempestade de um furacão, que rompeu os diques em 2005, não está nela.
Thrasher et al., NASA NEX-GDDP-CMIP6; Yamazaki et al. (2019), MERIT Hydro, Water Resources Research 55, 5053–5073; Biondo, Exposure, not prediction (manuscrito em preparação, 2026).
O NAIP (National Agriculture Imagery Program) sobrevoa cada estado a cada dois ou três anos, na estação de
crescimento. No Earth Engine, os voos da Louisiana sobre este quarteirão vão de 23 de junho de 2005 (2 m) a 4 de maio de 2023
(0,3 m); o de 2005 é o último antes da tempestade. A fração impermeável do NLCD é uma estimativa, a 30 m, da parte de cada
pixel coberta por asfalto e telhados.
USDA Farm Service Agency, NAIP (domínio público); USGS, Annual NLCD Collection 1, fractional impervious surface.