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Três parques, as mesmas ferramentas: Great Smoky, Gros Morne e Iguaçu

Um parque nacional dos Estados Unidos, um do Canadá e um do Brasil, de tamanho parecido, lidos com as mesmas ferramentas: o contorno oficial, a perda de cobertura arbórea, o uso da terra e o que o GBIF guarda de aves, plantas e mamíferos. Não é um ranking nem uma prova: a história mostra onde as ferramentas funcionam igual nos três países e onde os parques diferem, na terra ao redor, no tipo de observação e na quantidade de registros, e por que um número de registros mede esforço de observação, não riqueza.

Carregando os números…

—registros/km² de aves, plantas e mamíferos no Great Smoky (GBIF) medido
—o mesmo no Gros Morne medido
—o mesmo no Iguaçu medido

medido por satélite, pelo contorno oficial ou por uma contagem do GBIF. estimado uma leitura que depende de uma escolha. ausente uma parte que não foi possível obter.

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O mesmo contorno, a mesma régua

Great Smoky Mountains (Estados Unidos), Gros Morne (Canadá) e Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) são parques nacionais, todos na categoria II da IUCN. Os três contornos vêm da mesma base mundial, a WDPA, e a área foi recalculada a partir do polígono. Os três aparecem lado a lado, na mesma escala, e os botões “Destacar” realçam um deles em todos os passos.

2

Quatro ferramentas iguais e um mapa que muda de país

Quatro coisas rodam sem nenhuma mudança nos três países: o contorno (WDPA), a imagem de satélite (Sentinel-2), a perda de cobertura arbórea (Hansen) e a contagem de registros (GBIF). Uma muda de país para país por necessidade: o mapa de uso da terra, que cada país produz com o seu próprio método e legenda. A tabela diz qual.

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Quantidade: a mesma pergunta, números muito diferentes

O GBIF soma o que museus, herbários, observadores e câmeras publicaram. Cada linha é o que existe dentro do contorno de cada parque para um grupo: registros, espécies e registros por km². Um registro é o encontro de alguém com uma espécie num lugar e numa data; muitos registros dizem, antes de tudo, onde houve gente olhando.

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O mapa dos registros é o mapa de quem olhou

Cada quadrado é uma célula de 0,05° (cerca de 5 km), colorida pela densidade de registros de aves, plantas e mamíferos dentro do parque. A literatura mostra que os registros se concentram perto de estradas e de cidades, e longe delas há áreas pouco visitadas, mesmo quando o parque é o mesmo.

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Observação, espécime ou máquina

O GBIF separa o que é espécime de coleção, observação humana e observação por máquina (câmeras e gravadores). As três contam, mas dizem coisas diferentes: um espécime tem um nome e um lugar verificáveis numa coleção; uma observação humana depende de quem viu e de quem identificou.

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Quem está por trás dos registros

Por trás de cada número há um conjunto de dados, com um publicador e uma citação própria no GBIF. Os maiores de cada parque mostram o tipo de ciência que o produz: plataformas de observação de aves, de naturalistas, ou coleções de museus e inventários de instituições.

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Os registros por ano

Os registros não crescem de modo uniforme no tempo: as plataformas de observação por cidadãos fizeram o número de registros subir nas últimas décadas, e nem todo parque teve o mesmo ritmo. O gráfico mostra registros por km² e por ano, para os três grupos juntos.

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Dentro e fora, medido do mesmo jeito

O Hansen conta toda perda de cobertura arbórea desde 2001, de qualquer causa: fogo, tempestade, praga, corte. Aplicado ao interior de cada parque e a um anel de 10 km em volta, mostra onde a terra mudou, sem dizer por quê. As cores do mapa marcam o período em que cada pixel perdeu a cobertura.

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O que cada país mapeia ao redor, em 1985 e hoje

Cada país tem o seu mapa anual de cobertura da terra, com método e legenda próprios, e os três não são somados. Nos Estados Unidos é o Annual NLCD, 1985 e 2024; no Canadá, o NTEMS VLCE2, 1985 e 2022, escolhido para o Gros Morne por ter classes de floresta, arbusto, área úmida e água, as que contam num parque de floresta, turfeira e costa, com os limites de terminar em 2022 e de não ter classe de área construída nem de lavoura; no Brasil, o MapBiomas Coleção 11, 1985 e 2024, com classes próprias, como mosaico de usos e silvicultura, que os outros dois mapas não têm. Por isso as tabelas dos três parques não devem ser lidas lado a lado. Arraste a barra: ela move os três painéis ao mesmo tempo.

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As espécies que o GBIF registra em cada parque

Sem as listas oficiais, dá para ler o que o GBIF registra dentro de cada contorno: quantas espécies de cada grupo e quantas só aparecem num parque. É uma lista do que foi registrado, não do que existe, montada a partir da contagem de espécies do próprio GBIF e dos nomes da sua API de espécies.

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Quem as pessoas encontram, e o que é só de um parque

As espécies mais registradas de cada parque dizem o que é fácil de ver e de identificar; as que só aparecem num parque mostram o que é local ao contorno. Os nomes e os nomes populares vêm da API de espécies do GBIF.

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O que a categoria da IUCN no GBIF indica

O GBIF anexa a cada espécie a categoria da Lista Vermelha da IUCN, quando a espécie foi avaliada: é a única régua de ameaça comum aos três países. Aqui contam-se espécies (e não registros) nas categorias CR, EN, VU e NT dentro de cada contorno. Não é uma lista oficial do parque: é o casamento de nomes do GBIF com a IUCN.

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Extinta, extinta na natureza, dados insuficientes: quais espécies são

Algumas categorias destoam numa lista de espécies vivas de um parque: extinta, extinta na natureza, dependente de conservação e dados insuficientes. Em vez de descartá-las, olhamos quais espécies são e se os nomes são aceitos no catálogo do GBIF, para dizer o que se sabe e o que não se sabe.

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Quantas espécies as fontes oficiais dizem que há

Totais publicados por cada agência, como contexto e não como comparação: cada fonte tem escopo, método e data diferentes. O Great Smoky vem das páginas do NPS e de um inventário de todos os táxons; o Iguaçu, de um guia de aves do ICMBio e de um levantamento científico de mamíferos; para o Gros Morne, as páginas da Parks Canada e da IUCN não trazem totais de aves nem de plantas. A ecologia espera mais espécies nas florestas tropicais que nas temperadas e boreais (o gradiente latitudinal de diversidade); esta tabela não testa isso, porque os números têm métodos diferentes e há células vazias. Uma diferença esperada de bioma, não um resultado desta história.

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A comparação com as listas oficiais ainda falta

A ideia era comparar o GBIF com a lista oficial de espécies de cada parque, e com as listas nacionais de espécies ameaçadas: quantas das espécies da lista têm ao menos um registro, e quão recente e preciso. Nesta rodada não foi possível obter essas listas, espécie por espécie, em formato legível por máquina (o que se pôde ler foram os totais do passo anterior); a tabela diz o que foi tentado e o que impediu. As listas por espécie dos passos anteriores vêm do GBIF e não são oficiais. Nada foi inventado para preencher o espaço.

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A mesma mata, vista de perto em outra história

O polígono do Iguaçu cai inteiro no bioma Mata Atlântica do IBGE. A história do museu de Mello Leitão, em Santa Teresa (ES), lê o mesmo bioma com as mesmas ferramentas, num ponto de vista bem diferente: quatro lugares pequenos em vez de um parque, e o que o GBIF guarda de cada um, com a localização e a precisão dos registros.

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O que esta história não diz

A mesma mata, de perto: o museu de Mello Leitão, em Santa Teresa →

Escrito com o Claude Sonnet 5.5, da Anthropic, a partir dos artigos citados e dos números que o Earth Engine e o GBIF devolveram: nenhum fato ou número sai do modelo. English version.

Notas e referências

  1. Hortal, J., de Bello, F., Diniz-Filho, J. A. F. et al. (2015). Seven shortfalls that beset large-scale knowledge of biodiversity. Annual Review of Ecology, Evolution, and Systematics 46, 523–549. doi:10.1146/annurev-ecolsys-112414-054400.
  2. Boakes, E. H., McGowan, P. J. K., Fuller, R. A. et al. (2010). Distorted views of biodiversity: spatial and temporal bias in species occurrence data. PLoS Biology 8(6), e1000385. doi:10.1371/journal.pbio.1000385.
  3. Troudet, J., Grandcolas, P., Blin, A. et al. (2017). Taxonomic bias in biodiversity data and societal preferences. Scientific Reports 7, 9132. doi:10.1038/s41598-017-09084-6. É por isso que a história se limita a aves, plantas e mamíferos e não compara os grupos entre si.
  4. Heberling, J. M., Miller, J. T., Noesgaard, D. et al. (2021). Data integration enables global biodiversity synthesis. Proceedings of the National Academy of Sciences 118(6), e2018093118. doi:10.1073/pnas.2018093118.
  5. Hansen, M. C., Potapov, P. V., Moore, R. et al. (2013). High-resolution global maps of 21st-century forest cover change. Science 342, 850–853. doi:10.1126/science.1244693. Versão v1.13 (perda 2001–2025), lida no Earth Engine; perda de cobertura arbórea de qualquer causa, em qualquer pixel com um ano de perda; a cobertura de 2000 é a de pixels com pelo menos 30% de copa.
  6. Souza, C. M., Shimbo, J. Z., Rosa, M. R. et al. (2020). Reconstructing three decades of land use and land cover changes in Brazilian biomes with Landsat archive and Earth Engine. Remote Sensing 12(17), 2735. doi:10.3390/rs12172735. MapBiomas Coleção 11, 1985 e 2024, grupos do muda-clima.
  7. Hermosilla, T., Wulder, M. A., White, J. C. et al. (2018). Disturbance-informed annual land cover classification maps of Canada’s forested ecosystems for a 29-year Landsat time series. Canadian Journal of Remote Sensing 44(1), 67–87. doi:10.1080/07038992.2018.1437719. NTEMS VLCE2 (1984–2022), 1985 e 2022. É um mapa orientado a florestas: não tem classe de área construída nem de lavoura, então não mede urbanização.
  8. U.S. Geological Survey. Annual National Land Cover Database (Annual NLCD), Collection 1, 1985 e 2024, lido pelo Earth Engine e pelo muda-clima. mrlc.gov.
  9. UNEP-WCMC e IUCN. Protected Planet: the World Database on Protected Areas (WDPA), ativo WCMC/WDPA/current/polygons no Earth Engine, lido em 2 nov 2026; filtro por país, nome e designação (Great Smoky Mountains: National Park; Gros Morne National Park of Canada: National Park; Parque Nacional do Iguaçu: Park). protectedplanet.net.
  10. Copernicus Sentinel-2, nível 2A harmonizado (COPERNICUS/S2_SR_HARMONIZED), mediana de 2024 em cada parque (jun–set no Smoky, jul–set no Gros Morne, mai–set no Iguaçu), nuvens, sombras e cirros mascarados. sentinels.copernicus.eu.
  11. GBIF.org, busca de ocorrências, contagens por faceta sem baixar registros, com hasCoordinate=true e hasGeospatialIssue=false, dentro do polígono simplificado de cada parque (a simplificação, em graus, está nos dados), na data indicada no topo da página. Cada registro tem a citação do conjunto de dados que o publicou em gbif.org. Grupos: aves (classe Aves), plantas (reino Plantae), mamíferos (classe Mammalia).
  12. Listas procuradas em 2 nov 2026 e não obtidas: a lista de espécies do Great Smoky no NPSpecies (irma.nps.gov/NPSpecies; o serviço de dados respondeu 503, e a página é dinâmica); a lista do Gros Morne da Parks Canada (o endereço respondeu 404) e o registro federal de espécies em risco (SARA); a lista do Iguaçu do ICMBio e a Portaria MMA nº 148/2022 (o servidor recusou o acesso automático, 403); a Lista Vermelha da IUCN (recusa 403; a API exige token e aceite de termos).
  13. IBGE. Domínios de biomas 1:250 000 (ativo ibge_biome_domain_250k, o mesmo que o seletor de bioma do Naturametrics lê), interseção com o polígono do Iguaçu. ibge.gov.br.
  14. U.S. National Park Service. Great Smoky Mountains National Park, páginas Nature (atualizada em 22 dez 2022), Plants (26 mar 2026), Birds (23 jan 2026) e Mammals (10 jun 2026), lidas em 2 nov 2026: nature, plants, birds, mammals. As páginas dizem “species documented”; as plantas incluem as não vasculares.
  15. Parque Nacional do Iguaçu, ICMBio e Cataratas do Iguaçu S.A. Guia de aves (folheto), lido em 2 nov 2026: gov.br/icmbio. O folheto fala de 348 espécies de aves, 26 ameaçadas de extinção; não tem data nem método.
  16. Brocardo, C. R., Silva, M. X., Ferracioli, P. et al. (2019). Mamíferos do Parque Nacional do Iguaçu. Oecologia Australis 23(2), 165–190. doi:10.4257/oeco.2019.2302.01. 84 espécies de mamíferos silvestres (três exóticas) e outras 18 com distribuição potencial.
  17. Parks Canada. Gros Morne National Park — Wildlife, lido em 2 nov 2026 (a ilha de Newfoundland tem catorze mamíferos nativos): parks.canada.ca; IUCN. World Heritage Outlook, Gros Morne National Park (as plantas vasculares e briófitas do parque somam cerca de 60% da flora insular de Newfoundland): worldheritageoutlook.iucn.org.
  18. Hillebrand, H. (2004). On the generality of the latitudinal diversity gradient. The American Naturalist 163(2), 192–211. doi:10.1086/381004.
  19. Parks Canada. Gros Morne National Park — Spruce budworm, lido em 2 nov 2026: o número de lagartas aumenta na costa oeste de Newfoundland desde 2018, com desfolha generalizada em 2021 e, em 2024, floresta de baixada afetada em grande parte do parque. parks.canada.ca.
  20. GBIF.org, busca de ocorrências (contagem por faceta speciesKey, com e sem o filtro iucnRedListCategory, sem baixar registros) e API de espécies (api.gbif.org/v1/species), em 2 nov 2026, para os mesmos polígonos simplificados e filtros do GBIF acima. A categoria da IUCN é a que o GBIF anexa ao nome aceito da espécie; não foi conferida na fonte da IUCN. gbif.org.